ARTROSE DO JOELHO: O famoso "desgaste"

A articulação avisa quando está sofrendo. Aprenda a reconhecer os sinais, entender a causa e agir na hora certa.

O que é a artrose (o desgaste da cartilagem)

A artrose do joelho, também conhecida como osteoartrite, é o resultado de um processo degenerativo da cartilagem que reveste os ossos da articulação. Essa cartilagem funciona como uma camada protetora que evita o atrito direto entre os ossos e permite que o joelho se movimente com suavidade. À medida que ela se desgasta, surgem dor, rigidez, inflamação e limitação dos movimentos. A progressão é gradual e costuma se intensificar com o tempo.

Embora seja mais comum com o avanço da idade, esse desgaste pode acontecer mais cedo, especialmente em pessoas que sofreram lesões anteriores no joelho, estão com sobrepeso ou possuem desalinhamentos nas pernas. Também existem casos em que fatores genéticos ou doenças inflamatórias aceleram esse processo.

Por que a artrose acontece

O envelhecimento natural das articulações é uma das principais causas da artrose, mas não é o único motivo. O joelho é uma articulação de carga, ou seja, suporta o peso do corpo e absorve impactos o tempo todo. Se houver sobrepeso, lesões antigas mal reabilitadas, desalinhamentos (como joelho varo ou valgo) ou excesso de atividades físicas de impacto sem o preparo muscular adequado, o desgaste pode aparecer mais cedo e progredir mais rapidamente.

Além disso, alguns pacientes têm uma predisposição genética para desenvolver artrose, mesmo com hábitos de vida saudáveis. Isso mostra como é fundamental uma avaliação individualizada e preventiva, principalmente quando há histórico familiar.

Como identificar os sintomas

Os primeiros sinais geralmente passam despercebidos. A dor costuma aparecer aos poucos, principalmente após esforços como caminhar por longos períodos, subir escadas ou ficar muito tempo em pé. Com o tempo, ela pode se tornar mais constante, até mesmo em repouso. Outros sinais importantes incluem rigidez ao acordar, estalos ao movimentar o joelho, inchaço ocasional e sensação de travamento ou instabilidade.

Muitas vezes, o paciente associa esses sintomas ao envelhecimento normal, o que atrasa o diagnóstico. Um exame clínico cuidadoso, aliado a exames de imagem simples como o raio-X (imagens acima), normalmente é suficiente para confirmar a presença da artrose e orientar o tratamento ideal para cada fase da doença.

Como prevenir o avanço da artrose

A prevenção da artrose não depende apenas da idade, mas principalmente de hábitos saudáveis ao longo da vida. Manter o peso controlado, fortalecer a musculatura das pernas — especialmente o quadríceps e os glúteos — e evitar sobrecargas articulares desnecessárias são estratégias eficazes para proteger o joelho. A orientação adequada em atividades físicas e o cuidado com a biomecânica dos movimentos também fazem toda a diferença.

Mesmo quando já existe um desgaste inicial, é possível retardar sua progressão com reabilitação, mudanças de estilo de vida e acompanhamento médico. O movimento consciente e a musculatura fortalecida funcionam como uma forma natural de proteção articular.

Como tratar

O tratamento da artrose é sempre personalizado. Em fases iniciais e moderadas, o foco está em medidas conservadoras, como fisioterapia direcionada, reeducação de padrões de movimento, exercícios de fortalecimento, controle de peso e o uso pontual de medicações para dor e inflamação. Suplementos como colágeno tipo II, condroitina e glicosamina podem ser indicados em alguns casos, com o objetivo de melhorar a saúde da cartilagem e retardar a evolução do desgaste.

Em boa parte dos pacientes, essas medidas são suficientes para reduzir os sintomas, melhorar a função e adiar intervenções mais invasivas. O mais importante é manter o joelho ativo, porém protegido — sem sobrecarga e com orientação profissional adequada.

Quando indicar a infiltração

A infiltração articular pode ser uma excelente alternativa para quem apresenta dor persistente mesmo após um bom período de reabilitação. Ela permite alívio local dos sintomas, melhora da mobilidade e, em muitos casos, ajuda a adiar uma cirurgia – não por evitar a degeneração articular, mas sim por permitir reabilitar  e condicionar seu corpo. As substâncias mais utilizadas são o corticoide, com ação anti-inflamatória potente, e o ácido hialurônico, que tem efeito lubrificante e viscosuplementador.

A escolha depende do grau da artrose (em geral grau 2), da presença de inflamação, das contraindicações clínicas e da resposta anterior do paciente a outros tratamentos. Quando bem indicada, a infiltração pode oferecer meses de alívio e retorno às atividades cotidianas com mais qualidade de vida.

Quando indicar a artroplastia do joelho (prótese)

A artroplastia total do joelho — ou seja, a cirurgia para substituição da articulação por uma prótese — é indicada quando o desgaste é avançado e compromete de forma significativa a vida do paciente. Isso acontece quando a dor se torna constante, as limitações impedem atividades simples do dia a dia e o tratamento clínico já não oferece mais alívio eficaz.

Não é uma decisão tomada de forma apressada. Avaliamos o grau da artrose, a idade do paciente, sua rotina, expectativas e motivação para o processo de recuperação. Quando bem indicada, a artroplastia tem alto índice de sucesso e pode representar um recomeço real para pacientes que estavam presos à dor e à limitação.

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